A busca por uma agropecuária sustentável no estado de Rondônia e a união de forças em prol do fortalecimento do setor, com base no tripé Pesquisa-Extensão-Assistência e na proposição de políticas públicas, foi o foco de uma reunião que integrou a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a Secretaria de Estado da Agricultura de Rondônia (Seagri) e a Empresa Estadual de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Rondônia (Emater-RO) nesta quinta-feira, 11. “Precisamos oferecer aos produtores oportunidades de aumentar a produção e torná-la sustentável. Mas para que isso de fato aconteça, é preciso, principalmente, que sejam adotadas tecnologias e elas já estão disponíveis. Assim, é possível produzir mais, com menor custo, em menor área e de maneira a preservar o ecossistema”, destaca o chefe-geral da Embrapa Rondônia Alaerto Marcolan.

Disponibilização e multiplicação de tecnologias.
Disponibilização e multiplicação de tecnologias.

Durante o encontro, dirigentes e representantes das três instituições apresentaram cenários e perspectivas para diversas áreas da agricultura e pecuária do estado, destacando-se a cafeicultura, a produção de leite, pastagem, grãos e fruticultura. Os pesquisadores da Embrapa apresentaram tecnologias e ações que estão sendo planejadas para potencializar a produção nestas áreas e soluções para alguns desafios da agropecuária do estado.

Também foram apresentados possíveis impactos que podem ser esperados em Rondônia com a adoção de tecnologias que já estão disponíveis e acessíveis aos produtores e que, se adotadas e utilizadas com o manejo adequado, podem gerar grandes resultados sócio-econômicos para o estado. “A extensão rural depende da disponibilização de tecnologias para multiplicá-las no campo e já temos tecnologias que são capazes de transformar nossa realidade. Então, precisamos alinhar nossas ações e propor políticas públicas efetivas para promover o desenvolvimento do setor. Saímos deste encontro mais fortalecidos e com o mesmo alinhamento”, afirma o presidente da Emater-RO Francisco Mendes de Sá.

Para o secretário da Seagri, Evandro Padovani, o avanço da tecnologia na agropecuária brasileira é grande e rápido e, principalmente o pequeno e o médio produtor tem dificuldade em acompanhar. Cabe, então, a união de esforços entre pesquisa, governo e extensão rural para promover o desenvolvimento do agronegócio como um todo para o estado de Rondônia. “É levar tecnologias de ponta para o campo, por meio de uma assistência técnica qualificada e presente. E o papel da Secretaria de Agricultura é atuar de maneira a oferecer condições de crédito e subsídios para que a tecnologia e o manejo possam ser adotados. Assim, todos ganham: o produtor rural, a sociedade e o estado de Rondônia como um todo”, ressalta Padovani, que destacou também a importância da Agência de Defesa Agrosilvopastoril de Rondônia (Idaron) integrar estas ações.

Integração Lavoura-Pecuária-Floresta: viável para pequenos, médios e grandes produtores
Outro tema abordado durante a reunião foi a viabilidade de adoção da integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) e suas variações por pequenos, médios e grandes produtores de Rondônia, uma realidade que já acontece no restante do país e que tem provocado uma grande revolução no campo, sendo responsável por uma agropecuária sustentável – econômica, social e ambientalmente correta. “É preciso quebrar o mito de que o sistema ILPF é voltado apenas para grandes produtores, pois ele é interessante para todos. O pequeno produtor, por exemplo, pode aproveitar melhor sua área produzindo milho para silagem, depois entrando com o gado de leite e tendo a suplementação necessária para o período seco”, explica o chefe de Transferência de Tecnologia da Embrapa, Frederico Botelho.

Para se ter uma ideia, com a adoção do sistema ILPF, é possível ter até quatro safras na propriedade. Por exemplo, primeiro a safra de verão, que pode ser com soja. Colhe-se a soja e faz-se uma safrinha de milho consorciada com capim. Colhe-se o milho e coloca-se uma safrinha de boi. Tira-se o boi e ainda é possível fazer uma safra de palhada para o plantio direto e gerar matéria orgânica no solo. Com isso, são quatro safras que acabam dependo apenas de chuva, sem irrigação.

Oportunidades de aumentar a produção e torná-la sustentável.
Oportunidades de aumentar a produção e torná-la sustentável.

Livro Café na Amazônia
Ao final do encontro, exemplares do livro Café na Amazônia foram entregues para os dirigentes da Seagri e da Emater-RO para que sejam distribuídos por todo o estado. “Nosso objetivo é que estas recomendações e tecnologias cheguem aos técnicos e, consequentemente, aos produtores”, explicou Alaerto Marcolan, destacando ainda que o livro está disponível gratuitamente no formato digital e pode ser baixado no portal da Embrapa Rondônia (www.embrapa.br/rondonia).

O livro é considerado a “Bíblia do café na Am

azônia”, por reunir e atualizar todo o conhecimento gerado pela Embrapa Rondônia em seus 41 anos de existência no estado. A obra, em seus 21 capítulos escritos por 54 autores, contém informações necessárias a todos aqueles que pretendem cultivar ou participar dos esforços para o cultivo do café na Região Amazônica. Permite as tomadas de decisão do agricultor, em sua plantação; dos agentes financeiros, responsáveis pelo financiamento da produção; dos estudantes em sua formação; do extensionista, na aplicação das técnicas indicadas. Enfim, uma obra completa e útil para o desenvolvimento e fortalecimento da cafeicultura na Amazônia, garantindo a competitividade do setor cafeeiro frente às demais regiões produtoras, em um cenário econômico que exige, cada vez mais, a profissionalização do setor agrário e a eficiência de utilização de recursos ambientais, econômicos e humanos.

O livro tem a parceria da Energia Sustentável do Brasil (ESBR), concessionária da Usina Hidrelétrica (UHE) Jirau; e conta com o apoio do Consórcio Pesquisa Café, coordenado pela Embrapa Café, e da Seagri.

Fonte: Renata Silva
Embrapa-RO

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