O programa de microcrédito rural, através do Pronaf B, já ultrapassa oito milhões de reais em contratações

As políticas públicas do governo estadual, aliadas à assistência técnica e extensão rural (Ater) estão transformando a realidade das comunidades indígenas de Rondônia. Os serviços, que são prestados pela Entidade Autárquica de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater-RO), promovem inclusão produtiva com sustentabilidade, desenvolvimento econômico, acesso às políticas públicas e fortalecimento da agricultura familiar nos territórios tradicionais, representando a sua cultura e tradição.

Nos últimos anos a Emater-RO vem trabalhando com a Ater indígena atendendo uma demanda da própria comunidade, que busca desenvolver suas atividades de forma sustentável, tradicional e competitiva. As ações foram iniciadas e intensificadas em regiões que envolvem a Terra indígena Rio Branco, em Alta Floresta do Oeste, com o povo Aruá, Região de Ji-Paraná, atendendo os povos Gavião e Arara, e região de Cacoal e Espigão do Oeste, com os povos Paitér-Suruí e Cinta Larga, com orientação para cultivo de café, cacau, milho e outras culturas.

Um dos principais avanços alcançados com apoio da instituição foi a emissão de mais de 900 Cadastros da Agricultura Familiar (CAF), documento essencial para que agricultores indígenas tenham acesso a programas governamentais de incentivo à produção, comercialização e crédito rural. A ação representa um importante passo para garantir cidadania, segurança alimentar e geração de renda para as famílias indígenas atendidas pela Emater-RO.

A comunidade conseguiu aderir a programas como o Programa de Aquisição de Alimento (PAA)

O extensionista Erick Nogueira, do escritório da Emater-RO em Espigão do Oeste, explica que com a viabilização desse acesso, a comunidade conseguiu aderir a programas como o Programa de Aquisição de Alimento (PAA) e recebe assistência para a comercialização da produção e a agregação de valor aos produtos indígenas. “O PAA é mais um incentivo para fomentar a agricultura familiar nas pequenas comunidades, onde o produtor tem a certeza da venda de sua produção em qualquer quantidade”, disse Erick.

A adesão ao CAR também trouxe resultados para os agricultores familiares indígenas da Aldeia Pingo D’Água, da etnia Cinta Larga. Na última semana foi realizada a primeira comercialização por meio do PAA Indígena, resultando na venda de quase uma tonelada de produtos cultivados na aldeia, beneficiando mais de 30 agricultores familiares indígenas. “A iniciativa fortalece a produção local e assegura mercado para os alimentos produzidos nas aldeias”, afirma o diretor-presidente da Emater-RO, Hermes José Dias Filho.

Outro destaque é o avanço do programa de microcrédito rural, através do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar na categoria B (Pronaf B), que já ultrapassa 15 milhões de reais em contratações, com 1.811 projetos elaborados e 549 em elaboração com assistência da Emater-RO. A linha de crédito contempla agricultores familiares, indígenas, quilombolas, extrativistas e pescadores artesanais, oferecendo condições facilitadas para investimentos produtivos, ampliação da renda e melhoria da qualidade de vida no campo.

Para o governador de Rondônia, Marcos Rocha, investir nos povos originários, além de promover a inclusão produtiva, dando acesso a quem quer produzir, fortalece o desenvolvimento sustentável do estado. “Quando garantimos acesso à assistência técnica, ao crédito rural e às políticas públicas aos povos originários, estamos promovendo oportunidades, valorizando sua cultura e gerando desenvolvimento com inclusão social.”

O produtor indígena Gilberto Oro Não viu no crédito rural, uma oportunidade para transformar seus projetos em realidade

INVESTIMENTO E RESPEITO ÀS TRADIÇÕES
Para o produtor indígena Gilberto Oro Nao, o acesso ao microcrédito representa a oportunidade de transformar projetos em realidade e ampliar a produção da propriedade. “Quero investir em um viveiro ecológico, plantar mais banana, milho e mandioca. Também penso em trabalhar com avicultura e, futuramente, com piscicultura. Esse crédito ajuda a gente a produzir mais, gerar renda e continuar trabalhando na nossa terra”, afirma.

Criada para respeitar os conhecimentos tradicionais e promover o desenvolvimento sustentável das comunidades, a Ater Indígena, executada pela Emater-RO, vem consolidando um novo modelo de atendimento, unindo assistência técnica, acesso ao crédito e inclusão nas políticas públicas. O resultado é mais produção, mais renda e mais oportunidades para os povos originários de Rondônia, fortalecendo a autonomia das comunidades e contribuindo para o desenvolvimento rural sustentável do estado.

Texto: Wania Ressutti
Jornalista – MTE-1744/RO
Fotos: Erick Nogueira
EMATER-RO

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